10. CULTURA 28.11.12

1. A PSICOSE DE HITCHCOCK
2. VAN GOGH DEFINITIVO
3. A IGREJA DIGITAL DE MADONNA
4. EM CARTAZ  SHOW - O VELHO E BOM BRIT POP
5. EM CARTAZ  LIVROS - VOCABULRIO DAS RUAS 
6. EM CARTAZ  CINEMA - DE FESTA EM FESTA
7. EM CARTAZ  CINEMA - IMAGENS RARAS DE BRASLIA
8. EM CARTAZ  MSICA - NO CABAR LIGEIRO DE BLUBELL 
9. EM CARTAZ  AGENDA - BAL FOLCLRICO/TONY BENNETT/DEGAS
10. ARTES VISUAIS - PAISAGENS PS-PRODUZIDAS

1. A PSICOSE DE HITCHCOCK
Anthony Hopkins interpreta o cineasta em filme que retrata o gnio do suspense como um homem dominado pela mulher
Marcos Diego Nogueira

POR TRS DAS CMERAS - Hitchcock (Hopkins, de terno) dirige Janet (Scarlett): gluto e obcecado por loiras
 
Foi em um restaurante, em Los Angeles, que o ator britnico Anthony Hopkins conheceu o gnio do suspense Alfred Hitchcock. A conversa, no entanto, durou pouco. Nunca poderia imaginar que um dia o interpretaria, diz o ator, que estreia nos EUA o aguardado filme chamado justamente Hitchcock. O longa-metragem flagra o cineasta ingls durante as filmagens de seu maior clssico, o thriller Psicose, rodado em 1959, mas est mais interessado em retratar a sua personalidade autoritria e sua complexa relao com a esposa, Alma Reville, vista como a grande mulher por trs do homem.

Entre cenas que mostram a batalha do financiamento e da seleo de atores de Psicose e a briga com a censura americana, que considerou o filme muito violento (s liberou sua exibio para duas salas de cinemas nos EUA), o genioso diretor revela-se na intimidade e idiossincrasia. O Hitchcock de Anthony Hopkins  arrogante, bebe e come compulsivamente, e gosta de escolher as protagonistas de seus filmes  geralmente loiras  na privacidade do seu escritrio. Do seu lado, Alma  mostrada como uma mulher nada frgil: no raro ela reescreve o roteiro dos longas-metragens assinados pelo marido e lhe d suporte por trs das cmeras. Como nos especiais sobre filmes famosos  semelhantes aos extras que incluem os bnus de DVDs e blu-rays , os atores reproduzem at as entrevistas feitas por ocasio do lanamento de Psicose. Em uma delas, a atriz principal Janet Leigh (interpretada por Scarlett Johansson) explica que Hitchcock no queria usar trilha sonora na antolgica cena no chuveiro  e que foi novamente Alma quem o convenceu do contrrio.

A gravao dessa famosa sequncia no intimidou Scarlett Johansson em relao  nudez: A equipe ficou preocupada com a minha privacidade, mas penso que Janet Leigh tambm no pensou nisso na poca. Detalhista na criao do personagem, Hopkins lembra que, ao conhec-lo, teve tempo de reparar nas veias do pescoo de Hitchcock. Ele estava bem acima do peso, diz. Foi outra recordao, contudo, que o fez aceitar o papel: o impacto que o filme lhe causou no ano do lanamento: Nunca vi tanta gente assustada no cinema quanto naquela cena do chuveiro.


2. VAN GOGH DEFINITIVO
O pintor no se suicidou e nem cortou a orelha devido a distrbios mentais - essas so algumas das revelaes da biografia que desfaz uma srie de mitos em torno do grande artista holands
Marcos Diego Nogueira

O pintor holands Vincent van Gogh (1853-1890), um dos maiores nomes do ps-impressionismo, no se suicidou. Essa  a concluso a que chegaram os escritores americanos Steven Naifeh e Gregory White Smith em Van Gogh  A Vida (Companhia das Letras), considerada no momento a biografia definitiva do artista. Alm de negar a hiptese do suicdio, os autores afastam tambm a possibilidade de assassinato. Van Gogh teria sido atingido acidentalmente por um tiro, sado do revlver de calibre 38 de um adolescente chamado Ren Secrtan, vizinho do pintor na cidade de Arles, no sul da Frana. Ren tinha um histrico de provocar Vincent com o objetivo de enfurec-lo. Vincent tinha um histrico de exploses violentas, em especial sob a influncia do lcool. Uma vez sacada a arma da mochila de Ren, qualquer coisa podia acontecer, l-se no livro. O autor Steven Naifeh disse  ISTO: Vincent sempre pregou contra o suicdio, seria uma incoerncia ter-se matado. A hiptese do suicdio  um mito para retrat-lo como maldito.

PESQUISA - Mil pginas a partirda ampla correspondncia do artista no sculo XIX 
 
Foram dez anos de pesquisa e escrita at Naifeh e Smith chegarem s mil pginas em que esmiam por completo a vida de Van Gogh. Com a inteno de colocar o leitor na mente do artista, os autores leram centenas de cartas escritas e recebidas por ele, alm daquelas trocadas entre membros da famlia. As correspondncias permitiram resgatar at a sua infncia, na qual aprendeu com a me os cuidados com as regras sociais: Os trajes, assim como os passeios dirios com que se mostravam  comunidade, marcavam os Van Gogh como integrantes da classe mdia alta. Na infncia, os primeiros anos de relao com o irmo mais novo, Theo, j mostravam o companheirismo que os acompanharia. No quarto do sto que dividiam, conversavam at tarde da noite, o que criava com o irmo mais novo um vnculo que as irms, para implicar, chamavam venerao, mas que Theo, mesmo dcadas mais tarde, se orgulhava de considerar adorao, conta um trecho da obra.
 
VIDA A LEO - As histrias por trs das obras-primas de Van Gogh

A relao entre Vincent e Theo teve ligao com outro episdio comprovado pela nova biografia. Foi mesmo Van Gogh quem cortou a prpria orelha, abafando qualquer boato de que teria sido o tambm pintor Paul Gauguin, seu companheiro na famosa Casa Amarela, em Arles. Van Gogh teria se mutilado por cimes de Theo. O gesto extremado teria acontecido em um momento de confuso mental, aps tomar conhecimento de que o irmo teria pedido a namorada, Jo Bonger, em casamento. Vincent j desconfiava que Gauguin o deixaria para viver com uma mulher. Ao saber que Theo se casaria, concluiu que a relao de vida e tambm de negcios dos dois estava acabada, diz Naifeh.

Logo que soube da notcia, Theo embarcou em uma viagem de nove horas de trem, ansioso para se certificar de que o ferimento do irmo no fora letal. Meses depois, foi comunicado de que Vincent havia recebido um tiro, e novamente partiu para Arles, ficando com o irmo as suas ltimas 48 horas. A arma do crime nunca foi encontrada, bem como os seus inseparveis apetrechos de pintura  o que levanta as boas hipteses para uma histria policial. As tintas, pincis, cavaletes e telas foram deixados no terreno de onde Van Gogh sara cambaleante  procura de ajuda. Assim o livro explica esse sumio: Os irmos Secretn deviam estar apavorados. Mas, pelo visto, tiveram tempo e presena de esprito para recolher a arma e todos os pertences de Vincent antes de desaparecer correndo na noite que se aproximava.  
 
O que dizem as cartas
 O escritor Steven Naifeh conta  ISTO como pesquisou a vida de Van Gogh a partir de sua correspondncia

PARCERIA - Os autores Naifeh e Smith, ganhadores do prmio Pulitzer:trabalho conjunto h maisde 20 anos  
 
ISTO  Como foi feita a pesquisa para o livro?
Steven Naifeh  A maior parte da biografia  baseada na correspondncia trocada pela famlia, conseguida com ela ou no Museu Van Gogh. Passamos dois anos estudando mais de 700 cartas de Vincent. Ao l-las, tentamos concluir o que estava se passando na cabea dele no momento em que escrevia e quais eram os fatos relevantes acontecidos naquele dia  que livros, poemas, artigos ele deve ter lido. As correspondncias familiares geralmente o tratavam como um rapaz problemtico. Mesmo as cartas que no eram de ou para Vincent tinham sempre algo como o que vamos fazer a respeito dele?. 

ISTO  Por que decidiram escrever sobre Van Gogh?
Naifeh  Ns havamos terminado a biografia sobre Jackson Pollock, que nos tomou dez anos, e a questo era o que fazer agora?. Ao escolher um personagem para uma biografia deve-se levar em conta a vida do retratado  voc quer que ela seja incrvel, caso de Van Gogh. Alm de ele ser um dos artistas mais importantes e conhecidos no mundo. 

ISTO  Seu livro sobre Jackson Pollock se tornou um filme. O sr. pensou nisso ao escrever Van Gogh  A Vida? 
Naifeh  Sim. Apesar de ser difcil transformar um livro de mil pginas em um filme de duas horas, provavelmente haver um longa sobre Van Gogh baseado no nosso livro. 

ISTO  Como  o processo de trabalho ao se escrever um livro em parceria?
Naifeh  Isso no  usual na literatura, mas acontece com frequncia no jornalismo, quando muitos artigos so pesquisados por uma pessoa e o texto  escrito por outra.  o que ns fazemos. Eu sou o encarregado da pesquisa e o Gregory (White Smith) da escrita. Ele escreve melhor, enquanto eu consigo ler mais rapidamente. 

ISTO  Quais foram suas grandes descobertas?
Naifeh  Na nossa opinio,  quase improvvel que ele tenha se matado, mesmo sendo essa a explicao oficial. As evidncias ao contrrio so mais fortes. Alm disso, creio que o mais excitante foi colocar o leitor dentro da mente de Van Gogh. Ele no era s um grande pintor, mas um escritor e pensador. Isso s  possvel de saber pelo contedo de suas cartas.


3. A IGREJA DIGITAL DE MADONNA
Munida de sensualidade e provocao e apoiada na melhor tecnologia, a popstar traz ao Brasil a turn "MNDA", seu mais ambicioso espetculo em 30 anos que alimenta o culto  sua prpria personalidade 
Ivan Claudio

Ao som de sinos, uma imponente catedral  vista nos teles de altssima definio. Na porta da igreja, uma cruz exibe a sigla MNDA onde comumente se leria INRI, a inscrio em latim que marcou a crucificao de Jesus Cristo. Dessa forma, ao mesmo tempo solene, blasfema e impactante, inicia-se o novo show de Madonna, que chega ao Brasil para quatro apresentaes a partir do domingo 2. Sempre fascinada pela iconografia religiosa, a popstar de 54 anos faz do espetculo o templo de seu prprio culto, marcando trs dcadas de uma carreira que sempre aponta para o alto  como as formas gticas reveladas pelas imagens. Sua maior turn em extenso  at se encerrar, no dia 22 de dezembro, ter percorrido 28 pases , MDNA Tour  tambm a mais ambiciosa em recursos tcnicos e visuais. No auge da cultura digital, os shows de rock se transformaram em verdadeiros circos tecnolgicos. No caso de Madonna, a performance vai mais longe, j que transporta para o palco todas as possibilidades de um grande musical da Broadway. Ou seja: Madonna est mais uma vez mudando a paisagem do show biz.

VISUAL ALUCINANTE - A popstar canta sobre cubos e diante de imagens em HD: inovao tecnolgica que ajuda Madonna naquilo que ela mais gosta  provocar
 
O que conseguimos aqui  o comeo de algo novo, grande, que ainda no sabemos aonde vai chegar, diz o consagrado diretor de vdeos Stefaan Smasher Desmedt, conhecido pelos concertos do U2.

Para alcanar esse trunfo, a popstar se cerca dos melhores profissionais do mercado. Ao surpreender os fs mais uma vez com um visual de tirar o flego, a cantora contou com a criatividade de outros pesos-pesados. Seu palco mirabolante, cujos componentes se movem segundo um sofisticado sistema hidrulico e de automao, foi criado pelo maior set designer atual, o arquiteto ingls Mark Fisher. A ilustrao das canes ficou a cargo da empresa canadense de arte digital Moment Factory, colaboradora habitual do Cirque du Soleil. No bastasse essa parceria high tech, a direo geral do espetculo est a cargo de Michel Laprise, do mesmo Cirque. Autor da parte grfica, tendo participado da criao do vdeo para a msica Justify My Love (momento em que Madonna dana com o seu atual namorado, o bailarino Brahim Zaibat, de 24 anos), o diretor de arte brasileiro Giovanni Bianco comenta o resultado: MDNA  o show de Madonna que tem a melhor tecnologia de vdeo, com uma qualidade visual maravilhosa.

Trata-se de mais um feito da equipe que concebeu a espetacular apresentao da cantora no Super Bowl, em fevereiro, cuja transmisso ao vivo atingiu a marca de 114 milhes de espectadores. Nossa equipe concebeu imagens para 12 msicas, incluindo o primeiro ato inteiro e as ltimas canes do show, disse  ISTO Johanna Marsal, produtora da Moment Factory. No so projees, so vdeos exibidos no prprio telo, sem a necessidade de projetores. Outra novidade revolucionria  o palco mvel. Desenvolvido pela empresa belga Tait, o seu piso  composto por cubos que se elevam, servindo de elevadores ou escadas para a cantora e os 22 bailarinos nas elaboradas coreografias. So 36 cubos mveis de LED, que esto sempre mudando de posio, possibilitando mltiplas configuraes, diz Johanna. Tudo isso funciona tambm como pequenos teles. Para a cano Im a Sinner, um dos momentos mais empolgantes da apresentao, os artistas grficos fizeram os trs conjuntos de cubos ganhar a forma de trens que viajam pelo interior da ndia, mostrada ao fundo. Madonna canta sobre um dos vages enquanto os bailarinos surfam no teto do comboio. O efeito  fabuloso.

Alm de se interessar pelo que existe de mais novo em termos de tecnologia, Madonna sabe que uma das formas de se manter atual  se alinhar s modas e tendncias, sejam elas musicais, sejam comportamentais ou polticas. Se no lado musical ela deu uma guinada em direo  progressive house (crditos ao produtor italiano Benny Benassi, que deu o tom do CD MNDA, sigla que a artista criou para si), no plano das provocaes (o seu verdadeiro elixir da juventude), a Rainha do Pop tem se voltado para o noticirio internacional. No decorrer da turn, Madonna comprou briga na Rssia  ao apoiar o grupo Pussy Riot e defender o direito dos gays  e na Frana associou a deputada Marine Le Pen ao nazismo. No show de Nova York, fez um striptease durante a msica Like a Virgin e pediu aos fs que pagassem pela exibio  o dinheiro atirado ao palco foi direcionado s vtimas da tempestade Sandy. O gesto no amenizou as crticas por ela abrir o espetculo como uma espcie de bond girl justiceira  os teles mostram jorros de sangue a cada tiro que dispara. Diante da violncia atual no Pas, esse  o tipo de censura que no se poder fazer  cantora.


4. EM CARTAZ  SHOW - O VELHO E BOM BRIT POP
por Ivan Claudio
Apesar de ter sido formada em 1978, a banda inglesa Pulp s encontrou sua sonoridade prpria uma dcada depois, ao integrar um movimento musical que misturava guitarras dissonantes ao estilo radiofnico dos The Beatles: o brit pop. Liderado pelo carismtico vocalista e guitarrista Jarvis Cocker, o grupo tornou-se um dos maiores representantes do gnero ao lanar na sequncia os lbuns HisnHers (1994) e Common People (1995), com hits imediatos como This is Hardcore e Disco 2000. Separados desde 2002, seus integrantes se reuniram no ano passado e foram considerados a sensao dos festivais de vero da Europa. Aproveitaram o furor para esticar a turn e ir a lugares onde nunca haviam tocado. O Brasil, por exemplo. O quinteto promete revisitar a sua carreira em um nico show no Pas, marcado para a quarta-feira 28, no Via Funchal, em So Paulo.
 
+5 bandas de brit pop
BLUR (FOTO)
 Dona de sucessos como Boys and Girls e Tender, a banda de Damon Albarn voltou aos palcos aps dez anos de ausncia
 
SUEDE 
A sua grande influncia  a fase glam de David Bowie. Tocou pela primeira vez no Brasil em setembro de 2012
 
STONE ROSES 
O grupo de Ian Brown ficou conhecido pela msica I Wanna Be Adored. Retomou a carreira aps quase duas dcadas parado
 
PRIMAL SCREAM 
No ano passado, a banda saiu em turn comemorativa dos 20 anos de lanamento de seu melhor lbum, Screamadelica
 
SUPERGRASS 
Registrou com I Should Coco a maior venda de um lbum de estreia da gravadora Parlophone, desde os tempos dos The Beatles  


5. EM CARTAZ  LIVROS - VOCABULRIO DAS RUAS 
por Ivan Claudio 
Com belssimo design e um encarte chamado vocabulrio das ruas, a obra Contos Reunidos (Cosac Naify) alinha, pela primeira vez, todas as narrativas curtas publicadas em livro pelo escritor paulista Joo Antnio (1937-1996), que deu voz aos tipos marginalizados da cidade. A antologia vai de Malagueta, Perus e Bacanao (1963), sua obra de estreia, a Um Heri Sem Paradeiro (1993), e inclui o conto indito A Um Palmo Acima dos Joelhos sobre a iniciao sexual de um adolescente.


6. EM CARTAZ  CINEMA - DE FESTA EM FESTA
por Ivan Claudio 

Atendem pelo nome de Laura as duas beldades vividas pelas atrizes Mariana Ximenes e Andra Beltro em Os Penetras, novo filme de Andrucha Waddington que estreia na sexta-feira 30. As personagens femininas alternam-se como o objeto de desejo de Beto, um rapaz tmido e inseguro que, na companhia de um amigo malandro e sedutor chamado Marco, apronta as maiores estripulias durante a passagem do ano no Rio de Janeiro. Os rapazes festeiros so vividos, respectivamente, por Eduardo Sterblitch e Marcelo Adnet, no por acaso dois bons representantes do humor na tev.


7. EM CARTAZ  CINEMA - IMAGENS RARAS DE BRASLIA
por Ivan Claudio 
Dino Cazzola (1932-1998) foi um cinegrafista italiano que documentou o nascimento de Braslia e a sua evoluo urbanstica e social aps se radicar na cidade. Dizia que filmava para fazer histria e, assim, montou um dos maiores acervos de imagens sobre a capital do Pas. Sua obra pode ser agora conhecida por meio do documentrio Dino Cazzola  Uma Filmografia de Braslia, que estreia na sexta-feira 30 em So Paulo, Braslia e Juiz de Fora. Dirigido pelo cineasta Cleisson Vidal e pela historiadora Andra Prates, o filme  fruto de cinco anos de trabalho, que inclui a anlise de trs mil rolos de celuloide com 300 horas de cenas gravadas. A sntese do material foi feita pela criativa montagem de Lea Van Steen e enfatizada pela trilha sonora de Iura Ranevsky.  


8. EM CARTAZ  MSICA - NO CABAR LIGEIRO DE BLUBELL 
por Ivan Claudio 
Tendo como modelo as cantoras de cabar e as divas de jazz do passado, a paulistana Blubell vem construindo uma slida carreira junto ao quarteto de jazz  Deriva. Em seu terceiro lbum, Blubell & Black Tie (Borand), ela respira novos ares ao ser acompanhada pelos msicos e arranjadores Mario Manga e Fabio Tagliaferri. A dupla de instrumentistas reeditou o grupo Msica Ligeira com a ajuda do violonista Swami Jr., e forneceu  cantora o tom divertido, porm sofisticado, para um repertrio que vai da cano americana de Cole Porter (Love for Sale) ao rock ingls do The Who (My Generation).


9. EM CARTAZ  AGENDA - BAL FOLCLRICO/TONY BENNETT/DEGAS
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio 

BAL FOLCLRICO 
 (Teatro Srgio Cardoso, So Paulo, at 9/12)
 Aps elogiada turn pela Europa e pelos EUA, a companhia baiana mostra coreografias inspiradas na cultura popular nordestina
 
TONY BENNETT
 (Rio de Janeiro, 29/11;So Paulo, 1/12; Porto Alegre, 4/12)  
 Aos 86 anos, o cantor americano interpreta msicas de seu novo lbum, Viva Duets
 
DEGAS
(MON, Curitiba, at 24/2)
 Mostra com 73 obras do artista francs Edgar Degas pertencentes ao acervo do Masp. Destaque para a escultura Bailarina de 14 Anos


10. ARTES VISUAIS - PAISAGENS PS-PRODUZIDAS
Em mostra de fotografia do CCSP, trs fotgrafos reprogramam imagens pessoais ou apropriadas de outras fontes
 por Paula Alzugaray

II Mostra do Programa de Fotografia/ Centro Cultural So Paulo, SP/ at 13/1/2013

PAISAGEM MIDITICA - Fotografia de Dirnei Prates realizada a partir da imagem de jornal 
 
Por trs do excelente trabalho pessoal dos trs fotgrafos da II Mostra do Programa de Fotografia do Centro Cultural So Paulo h uma boa curadoria. A mostra foi retomada, este ano, em comemorao aos 30 anos da instituio, e projetada pelo atual curador de artes visuais, Marcio Harum, como um espao para pensar as particularidades e os limites da linguagem fotogrfica. Nos trabalhos atualmente em exposio, o territrio de reflexo  a construo da imagem. 

O elo que aproxima as obras recentes de Dirnei Prates, Sofia Borges e Marcelo Tinoco  o trabalho com a paisagem. No entanto, nenhum dos fotgrafos tem como matria-prima a paisagem natural. Seu tema de abordagem  sempre a paisagem cultural. Dirnei Prates tem a paisagem miditica como alvo. Na srie Paisagens Populares, ele se apropria de imagens veiculadas em jornais. Sua estratgia, porm,  eliminar as figuras de destaque e mirar o terceiro plano da imagem, no qual os personagens se tornam pontos distantes, que se confundem com o gro estourado da impresso grfica do jornal. O resultado  uma fotografia sem primeiro plano, em que o interesse est no pano de fundo.

NATUREZA CONSTRUDA - Trabalho de Sofia Borges realizado com dioramas do Museu de Histria Natural
 
Marcelo Tinoco tambm trabalha com a profundidade de campo, porm, diferentemente de Prates, valoriza por igual todos os planos da imagem. Desafiando as limitaes tcnicas da fotografia analgica, compe complexas cenas em que fundo e figura tm o mesmo peso narrativo. Paradoxalmente, ao fazer uso de ferramentas de ps-produo fotogrfica, Tinoco constri imagens que remetem  composio pictrica renascentista ou a um certo apego ao passado, como aponta o crtico Mario Gioia, em texto de apresentao da exposio. Essa remisso ao passado  e esse rudo entre tempos tecnolgicos  se faz tanto na composio como no tema: na paisagem buclica do domingo no parque ou na citao da pintura antiga, como em Para Canaletto (2012), que reprograma fotografias tiradas pelo prprio Tinoco em Veneza.

A srie Tema, de Sofia Borges,  composta por paisagens de terceira mo. Os trabalhos consistem em fotografias em preto e branco tiradas de detalhes de pinturas de dioramas do Museu de Histria Natural de Nova York. Se alguma dvida surgir acerca da fico dessa paisagem, ela logo se dissipa com a presena de uma segunda fotografia, em pequeno formato, do processo de construo desse cenrio. Assim, como aponta a crtica Luiza Proena em seu texto de apresentao, o trabalho de Sofia Borges  tanto sobre a construo de cada imagem fotogrfica quanto sobre a exposio dessas imagens. No modo como organiza essas fotografias nas paredes do espao expositivo do CCSP, Sofia nos incita realmente a pensar os limites da linguagem, j que situa seu trabalho no simplesmente como fotgrafa, mas como editora de imagens.  

